Definitivamente, o chefe da aldeia agora é o indiozinho. Armado com os seus pulmões novinhos e a imensa força que um bebê pode ter, dominou geral na área.

 Como disse a pediatra, estamos aqui para servi-lo. E como servimos. A mãe, índia velha Zanny, carrega, conversa, amamenta, acaricia, faz tudo na hora que ele exige. Isso mesmo. Bebês não pedem, exigem no idioma deles. Eu, índio velho, vou à caça todos os dias e faço artesanato para vender na cidade dos brancos. Meu sonho de consumo não é mais um colar de contas, é um arco com flechas laser. Guerra nas estrelas? Que nada! Caçada nas estrelas é o futuro grande sucesso do mundo do entretenimento pemón.  

O grande chefe já passou dos cinco quilos. Ostenta triunfante um senhor par de coxas que dá inveja só de ver. O cabelo negro (azabache, como se diz na Venezuela) continua estiloso. Não precisa pentear pois a caída é automática.  O moleque que manda na minha aldeia e estendeu esse reinado para o meu coração/corpo/alma tem lindos olhos castanho-claros. Eu sempre quis olhos assim mas não dei sorte. Os dele, bem-aventurado, puxaram à índia velha Zanny. 

 O indiozinho agora tem companhia. Na semana passada nasceu a prima Ana Vitória, filha do Natan e da Íris. A dupla é dona do sítio onde a Zanny foi tomar banho no domingo pré-parto para acelerar o processo de nascimento. Os dois novos habitantes de Boa Vista encontraram-se por acaso na ante-sala da pediatra, bateram umas fotinhas juntinhos, trocaram resmungos infantis e marcaram de qualquer dia encontrarem-se por aí. Ah, sim. Os pais vão junto. Afinal, alguém tem que dirigir os carros-de-boi.