Meu indiozinho completou um mês de nascido no domingo. De 10 de janeiro a 10 de fevereiro, a vida mudou por estas bandas do Norte. Ele mesmo, o bebê, já mudou. Ganhou mais peso, já acompanha os movimentos das mãos dos pais e suas perninhas viraram pernocas.

Este índio velho confessa: ao chegar da caçada diária, larga acelerado flechas, arco e tacape para dar um cheiro no caboclinho. Como brinco com os meus amigos, assumi meu lado bissexual e adoro esse machito que apareceu na minha vida.

Aliás, amar um homenzinho tão lindo é fácil. Assim como é fácil admitir que há coisas que um homem só faz pelos filhos: ajudar a trocar a fralda cheia de cocô a toda hora e sorrir depois, deixá-los ocupar o espaço na cama e achar necessário, fazer de tudo para que se sintam melhor do que nós mesmos.

 É óbvio que nem só de flores está feita esta etapa da vida. Quando ele chora e não consigo acalmá-lo, sinto-me um inútil. Quando ele sequer desvia o olhar do “vulto que dá leite”, como chamo a dona Zanny, para tentar descobrir onde está o “vulto que não dá leite” (eu), é um pouco frustrante. Só não é pior porque sei que essa é a função do pai nesta fase: ser assistente. Ou como se diz lá na minha cabana: eu sou o enfermeiro-chefe e a Zanny é a doutora que manda.