Na real, fazer um filho é fácil. Bastam umas boas taças de vinho, uma boa música rolando, um suporte macio e a disposição de duas figuras para a tal tarefa. Agora, montar a tal da estrutura para receber bem o moleque é que são elas. Além dos gastos inerentes a esta etapa do processo, o futuro pai ainda terá noites de pesadelos causados por comentários como os seguintes:

 - Vai ter filho? Agora vais ver como é que se gasta na vida!

- Já comprou berço, carrinho, casa e blá-blá-blá? Relaxa, ainda tem as fraldas e o leite, que acabou de aumentar.

- Ih, aproveita para ir às festas agora. Depois que nascer isso não vai ter pertencer mais. 

 Uma colega, a Cyneida, mãe de dois ou três filhos, jornalista, redatora de TCCs por encomenda e dona do mais afiado humor ácido que conheço, disse-me uma frase interessantíssima  um dia desses, depois de alguns comentários sobre este blog. 

Cyneida falou, depois de desejar-me sorte na função de pai, que o nascimento e crescimento do indiozinho iriam dividir-me em dois sentimentos antagônicos: o do imenso amor por essa criaturazinha ainda em formação e o desespero das obrigações paternas.

 Acho que ela tem razão. Mas fazer o que, se finalmente decidi atender ao chamado biológico e colocar alguém no mundo para herdar minhas dívidas? Afinal, essa é a parte boa de ter um filho: temos alguém para finalmente dividir as contas.