Parece que todo mundo inventou de engravidar ao mesmo tempo. Quando vou ao supermercado, fico assustado com o tanto de mulher grávida que passa entre as gôndolas. Não há restrição. São de todas as idades e todos os tamanhos. Será que esse povo não sabe que o mundo está em crise, que daqui a alguns anos faltará água, comida e emprego para tanta gente? O pior é quando passam aqueles casais com dois, três filhos no chão e um na barriga. É um povinho irresponsável a super-povoar o mundo e gastar os recursos naturais que meu filho deveria, por direito indígena, usufruir sem nenhuma preocupação deste tipo. É tanta gente grávida que até a ante-sala do obstetra da mãe do indiozinho vive lotada. A mais de cem pilas cada consulta, dá para imaginar que escolhi mesmo a profissão errada. Culpa da minha mãe, que nunca me estimulou a ser médico. Anteontem, ao chegar naquela passarela de mulheres gestantes e suas crianças de colo ou aprendendo a andar, pensei e perguntei à atendente: a minha grávida tem preferência? Claro que não foi a resposta que veio no sorriso da moça. Afinal, o que poderia eu esperar? Tratamento diferenciado apenas por ser o indiozinho, futuro herdeiro da reserva indígena Raposa-Serra do Sol? Nada. Aqui não tem vez, vai pra fila e pede pra esperar, 01.

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Dezembro 12, 2007 às 10:39 pm
Adenice
Bom, não sei se o blog épra comentar ou desabafar, mas os teus post falaram muito comigo (Será pq?). Muita mulher grávida junta, mesmo. MAs o post que fala sobre vc não existir mais como pessoa isso é verdade. Depois que casei eu não existo mais. Antes da gravidez da Eva, ninguém podia me ver sozinha que a primeira frase era “Cade o Oliveira?”, agora, nem Oliveira, nem Viriato, nem Santos, é só “quantos meses”, “vai fazer quando o baby chá?” “Já comprou muita coisa?” “É menino ou menina?” “Tem nome?”. MAs apesar de eu ter desaparecido pro resto do mundo, eu to muito feliz com a minha guaraxi (mistura de guarani com macuxi). Poder ser mãe ou pai é mesmo a melhor coisa do mundo, mas claro, com a pessoa certa.
Xero pro indiozinho Edgar Jesus Bisneto